"O governo fechou mais de quatro mil escolas - 4255, mais precisamente -, nos últimos oito anos. Na prática, a rede escolar foi reduzida em cerca de um terço, de 12 862 para 8697 estabelecimentos, depois do anúncio da sua reorganização, no ano lectivo 2000/ /2001. Ao analisar os dados do Instituto Nacional de Estatística, o fecho de milhares de escolas do primeiro ciclo merece especial destaque, com as zonas do norte do País a serem especialmente afectadas.
No mesmo período foram abertas mais Escolas Básicas.
No norte de Portugal, passou-se de cerca de três e quinhentas escolas básicas do primeiro ciclo em 2000 para menos de metade em 2006/2007 - 1555. E nesta zona é de notar a diminuição, por exemplo, registada em Trás-os-Montes - de 651 para 161 escolas -, uma das regiões mais afectadas pelos critérios apertados que levam ao encerramento de escolas, nomeadamente quando têm menos de dez alunos. "
Continua o problema da educação a causar-me uma certa inquietação.
Fechar 4000 mil escolas resolve os problemas do nosso sistema de ensino, ou simplesmente se teve como barómetro a questão económica, para a tomada desta decisão?
Em primeiro lugar, a reposta para a pergunta, "Porque fecham escolas"?.
Infelizmente é elementar... Cada vez se nasce menos em Portugal, consequentemente há poucos alunos, e claro, quem governa pensa, que é impensável manter uma escola aberta sem um determinado número de crianças. Logo aqui há dois problemas.
1º- A nossa precária e constante deficitária balança demográfica, que em quebra há vários anos, se vai mantendo mesmo assim menos catastrófica, no que aos nascimentos, diz respeito, devido ao esforço meritório dos nossos imigrantes que se têm estabelecido no nosso país, e que têm praticado um valioso serviço à Nação, porque caso não fossem eles, aposto que há tinham fechado mais maternidades que escolas.
E vejo com curiosidade a pretensão do Governo, em acabar com a licença de maternidade para as funcionárias públicas em contrato. Se era preciso um incentivo suplementar para não se ter filhos, o nosso Governo dá o exemplo na esfera pública. Não percebo é a coerência desta medida, quando apregoou bem alto, que no novo Código do Trabalho, ia aumentar a Licença de Maternidade não só para a Mãe mas também para o Pai...Como diria Pimenta Machado "O que hoje é verdade, amanhã é mentira".
2º- Os custos de manter uma escola...Efectivamente economicamente é comportável manter uma escola aberta com menos de 10 crianças. Mas aqui surgem muitas questões, que deveriam servir de peso suplementar, no momento de decisão, sobre esta matéria.
A nível sociológico, especialmente no interior, é muito prejudicial para as crianças o encerramento da escola da sua residência, porque acarreta viagem longuíssimas, desgaste físico e psicológico, alteração de ritmos e rotinas diárias.
Acrescentamos a isto, que estas crianças ao serem deslocados do seu meio, enfrentam muitas vezes problemas de integração na esfera escolar em que são inseridas, podendo ir resultar numa acanhamento, dificuldade de aprendizagem e auto-exclusão.
Também para os pais, estas mudanças acarretam mais dificuldades, tanto ao nível financeiro (sabendo nós que no interior, o emprego não abunda, e as famílias não vivem, salvo raras excepções, na abundância) como logístico, pois obriga a constantes e demoradas viagens muitas vezes por caminhos e estradas em péssimas condições. (A imagem da Auto-Estrada ainda não chegou a todos os lados).
Não sei se, estes factores são ou não suficientes para que o Governantes pensassem duas vezes antes da tomada de decisão, mas parece-me sinceramente que antes de se pensar nisso, pensa-se nos tostões que se poupam. Antes da procura das causas e consequente remédio, dá-se apenas uma anestesia, que depois quando passa o efeito, os problemas perduram e são ainda agudizados.
Nem me parece que a nível das autarquias, haja políticas interessantes de fixação de população ou atracção de novos habitantes que pudessem criar novas sinergias populacionais (excepção feita, por exemplo para Vimioso, onde a autarquia dá subsídios a quem quer ser mãe, e cede terrenos para empresas se estabelecerem ao preço módico de 1 cêntimo por metro2).
O encerramento das escolas, e o crescimento das EB's, são também um perigo educacional, e sociológico. É pior a emenda que o soneto, colocar numa escola, um miúdo com 10 anos perto de outros com 18 ou 19, vendo as atitudes deles, convivendo com os seus vícios, manias e comportamentos, hoje salvo raros exemplos, completamente desviantes. E se o Governo levar avante, a intenção de um estudo que aconselha a integração da Escola primária com as EB's, eu então prefiro, que o meu futuro filho (cada vez mais, penso que é um acto de egoísmo por uma criança no mundo) fique na ignorância, e se seja um auto-didacta, do que entregá-lo directamente aos "Lobos".