segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Encerramento de Escolas?!

"O governo fechou mais de quatro mil escolas - 4255, mais precisamente -, nos últimos oito anos. Na prática, a rede escolar foi reduzida em cerca de um terço, de 12 862 para 8697 estabelecimentos, depois do anúncio da sua reorganização, no ano lectivo 2000/ /2001. Ao analisar os dados do Instituto Nacional de Estatística, o fecho de milhares de escolas do primeiro ciclo merece especial destaque, com as zonas do norte do País a serem especialmente afectadas.

No mesmo período foram abertas mais Escolas Básicas.


No norte de Portugal, passou-se de cerca de três e quinhentas escolas básicas do primeiro ciclo em 2000 para menos de metade em 2006/2007 - 1555. E nesta zona é de notar a diminuição, por exemplo, registada em Trás-os-Montes - de 651 para 161 escolas -, uma das regiões mais afectadas pelos critérios apertados que levam ao encerramento de escolas, nomeadamente quando têm menos de dez alunos. "


Continua o problema da educação a causar-me uma certa inquietação.

Fechar 4000 mil escolas resolve os problemas do nosso sistema de ensino, ou simplesmente se teve como barómetro a questão económica, para a tomada desta decisão?


Em primeiro lugar, a reposta para a pergunta, "Porque fecham escolas"?.

Infelizmente é elementar... Cada vez se nasce menos em Portugal, consequentemente há poucos alunos, e claro, quem governa pensa, que é impensável manter uma escola aberta sem um determinado número de crianças. Logo aqui há dois problemas.


1º- A nossa precária e constante deficitária balança demográfica, que em quebra há vários anos, se vai mantendo mesmo assim menos catastrófica, no que aos nascimentos, diz respeito, devido ao esforço meritório dos nossos imigrantes que se têm estabelecido no nosso país, e que têm praticado um valioso serviço à Nação, porque caso não fossem eles, aposto que há tinham fechado mais maternidades que escolas.

E vejo com curiosidade a pretensão do Governo, em acabar com a licença de maternidade para as funcionárias públicas em contrato. Se era preciso um incentivo suplementar para não se ter filhos, o nosso Governo dá o exemplo na esfera pública. Não percebo é a coerência desta medida, quando apregoou bem alto, que no novo Código do Trabalho, ia aumentar a Licença de Maternidade não só para a Mãe mas também para o Pai...Como diria Pimenta Machado "O que hoje é verdade, amanhã é mentira".


2º- Os custos de manter uma escola...Efectivamente economicamente é comportável manter uma escola aberta com menos de 10 crianças. Mas aqui surgem muitas questões, que deveriam servir de peso suplementar, no momento de decisão, sobre esta matéria.

A nível sociológico, especialmente no interior, é muito prejudicial para as crianças o encerramento da escola da sua residência, porque acarreta viagem longuíssimas, desgaste físico e psicológico, alteração de ritmos e rotinas diárias.

Acrescentamos a isto, que estas crianças ao serem deslocados do seu meio, enfrentam muitas vezes problemas de integração na esfera escolar em que são inseridas, podendo ir resultar numa acanhamento, dificuldade de aprendizagem e auto-exclusão.

Também para os pais, estas mudanças acarretam mais dificuldades, tanto ao nível financeiro (sabendo nós que no interior, o emprego não abunda, e as famílias não vivem, salvo raras excepções, na abundância) como logístico, pois obriga a constantes e demoradas viagens muitas vezes por caminhos e estradas em péssimas condições. (A imagem da Auto-Estrada ainda não chegou a todos os lados).


Não sei se, estes factores são ou não suficientes para que o Governantes pensassem duas vezes antes da tomada de decisão, mas parece-me sinceramente que antes de se pensar nisso, pensa-se nos tostões que se poupam. Antes da procura das causas e consequente remédio, dá-se apenas uma anestesia, que depois quando passa o efeito, os problemas perduram e são ainda agudizados.

Nem me parece que a nível das autarquias, haja políticas interessantes de fixação de população ou atracção de novos habitantes que pudessem criar novas sinergias populacionais (excepção feita, por exemplo para Vimioso, onde a autarquia dá subsídios a quem quer ser mãe, e cede terrenos para empresas se estabelecerem ao preço módico de 1 cêntimo por metro2).


O encerramento das escolas, e o crescimento das EB's, são também um perigo educacional, e sociológico. É pior a emenda que o soneto, colocar numa escola, um miúdo com 10 anos perto de outros com 18 ou 19, vendo as atitudes deles, convivendo com os seus vícios, manias e comportamentos, hoje salvo raros exemplos, completamente desviantes. E se o Governo levar avante, a intenção de um estudo que aconselha a integração da Escola primária com as EB's, eu então prefiro, que o meu futuro filho (cada vez mais, penso que é um acto de egoísmo por uma criança no mundo) fique na ignorância, e se seja um auto-didacta, do que entregá-lo directamente aos "Lobos".


Como a Educação é tão mal tratada.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A visão de Socrates sobre call Centers

"Sócrates saúda criação de emprego em Santo Tirso

O primeiro-ministro, José Sócrates, marcou presença, esta manhã, em Santo Tirso, na cerimónia de apresentação do novo serviço de “call-center” da Portugal Telecom que irá criar 1200 postos de trabalho.

No regresso de férias, o chefe do Governo salientou “a importância para Santo Tirso e para o país” deste projecto na criação de emprego.

Esta segunda-feira, foi dado o primeiro passo com a assinatura de dois protocolos, um entre a PT e a autarquia de Santo Tirso e outro entre a operadora e o Instituto de Emprego.

A PT vai lançar um concurso para seleccionar as empresas prestadoras de serviços que vão operar no novo centro, privilegiando as empresas que estabeleçam contratos de trabalho de longa duração.

Será dada prioridade a candidatos que tenham o 12º ano, garantindo desta forma a contratação de emprego qualificado."

In Jornal de Noticias 2008-08-18

Retrocedemos um bocadinho no tempo, porque não consigo deixar passar em claro, este momento, em que foi inaugurado o novo Call-Center PT em Santo Tirso.

Congratulo-me obviamente, com este projecto de criação de novos postos de emprego, ainda para mais numa região tão assolada pelo desemprego, onde existem segundos os dados do INE (Instituto Nacional de Estatística), 5500 pessoas sem emprego.

Mas ao ler as declarações do Sr. Primeiro-ministro, não soube se havia de rir ou chorar.

E passo a explicar…

Não percebo como é que um Call-Center pode desempenhar um papel decisivo para o país. É que sinceramente não consigo conceber que alguém que passa 8 horas a atender chamadas do SAPO ADSL, possa mudar o rumo do país com essas chamadas. Ou pior ainda, não consigo imaginar, o país a mudar depois da criação deste Call-Center. A não ser que a Internet passasse a ser de borla, com os respectivos downloads sem limites e restrições, assim já acreditava num Portugal melhor (fica a ideia).

Por outro lado, Socrátes disse que este Call-Center iria apostar em pessoas qualificadas, apostando-se em candidatos com o mínimo de 12ºAno de escolaridade. As perguntas que me apraze fazer são as seguintes?

- Para trabalhar num Call-Center é preciso ter um curso superior (falo por experiência própria)? Será um trabalho tão especializado que precise de curso superior? Ou será que isto é uma maneira de manter ocupado, uma série de infelizes recém-licenciados que não encontram emprego na área em que se formaram?

Sinceramente os requisitos necessários para estar num Call-Center, é ter uma vontade férrea de estupidificar durante 8 horas, com um monitor à frase, repetir vezes sem conta as mesmas frases, ouvir todas (e mais algumas) as barbaridades ditas pelos clientes, e com um sorriso na voz, aturar supostos “coordenadores” que se regem por um código de conduta de lambe-botas e insensibilidade, que encaram a função de “Coordenador/Superior de Call-Center, como a mais importante do mundo, onde nada, nem ninguém pode falhar, atrasar-se na entrada ao serviço, ou mesmo opinar.

Claro, outro requisito, é o estarmos dispostos a ganhar um bocadinho acima do ordenado mínimo, e ter o esquema de vencimento dividido entre incentivos monetários, e tickets de refeição e compras em grandes superfícies (nos dias que correm é um luxo).

- Será alguém com o 12ºano, uma pessoa qualificada? Com o estado do nosso Ensino duvido sinceramente. Aliás arrisco a dizer que quem sai actualmente do 12º ano, sabe um bocadinho de tudo de nada. Tenho para mim, que será uma pessoa totalmente incapaz de exercer qualquer trabalho (salvo raras e honrosas excepções). E também não me consta, que nos cursos profissionais administradas pelo Ministério da Educação, haja um denominado “Técnico de Call-Center”.

O que me custa sinceramente, é a forma hipócrita, demagógica e até cínica, com que este anúncio foi feito. Para quem não conhece a realmente, e para o fosso em que vivemos economicamente, este projecto, é realmente um brilharete. Mas para quem conhece o mundo dos Call-Center, o que posso dizer é “Boa Sorte Povo de Santo Tirso”



quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Comecem a reparar

“Cinco assaltos à mão armada na madrugada de hoje na Grande Lisboa

Cinco assaltos à mão armada, em que foram roubadas duas viaturas de grande cilindrada, dois postos de combustível e um café, registaram-se hoje de madrugada na região da Grande Lisboa, revelou à agência Lusa fonte policial.”


"Mais mil gasolineiras aderem a programa do Governo que recruta empresas privadas de segurança

O ministério da Administração Interna vai alargar a mais mil postos de combustíveis o programa Abastecimento Seguro, através de protocolos, assinados ainda este mês, para melhorar a cooperação entre as forças policiais e empresas privadas de segurança."

É inegável que há uma falha de segurança enorme, ao nível da política de combate ao crime.
Enquanto Portugal cresceu economicamente ao ritmo dos subsídios da UE, estas manifestações criminosas não se fizeram notar tão significativamente. Mas bastaram 4/5 anos de abrandamento económico para que hoje se note um clima de maior e constante conflitualidade.

Razões para isto:


- Parece-me notório que os números apresentados pelo Governo ao nível do desemprego são manifestamente incorrectos, e isto prova-se na subida do crime, que normalmente está em sintonia com aumentos do desemprego.

- Atentados urbanísticos e sociológicos, que são os Bairros Sociais, autênticos barris de pólvora onde não se teve em atenção, culturas, raças ou credos, colocando-se ao molho e nas periferias , transformando pomposos prédios novos, em autênticos "guettos"

- Entrega excessiva de imigrantes. Não há aqui qualquer atitude racista, apenas a constatação que Portugal não cria emprego para aqueles que cá estão, quanto mais para os que vêem de fora. Ou melhor, se calhar arranja-se um empregozinho, mas sem contrato ou protecção social, e arranjado numa qualquer carrinha de caixa aberta ou Ford Transit, em qualquer estação do Metro de Lisboa, em horas tardias da madrugada.

- Agravamento das condições sociais, especialmente o asfixiamento da classe média, com perca de poder de compra constante, desde 2002. Isto agravado, com uma distribuição de riqueza ridícula. Não se percebe, que empresas apresentem lucros de milhões, e só porque o lucro foi inferior aos anos anteriores, ameace logo com despedimentos e cortes salariais, e sacrifícios para os mesmos. Pergunto apenas o seguinte: Se despedissem 3 gestores, não estariam a poupar mais, do que despedindo 10 trabalhadores, que por sinal trabalham bem mais, e gastam bem menos recursos às empresas?

- Políticas sociais erradas dos constantes Governos que tivemos. Por muito que este Governo tenha removido, alguma lama do lamaçal no que diz respeito a alguns privilégios e estatutos adquiridos, mas tudo continua num lodo sem fundo aparente.

- Por último, uma ineficaz politica policial. A Polícia é notório perdeu autoridade, força e capacidade de acção. As tipologias dos crimes mudaram, os criminosos dispõem hoje de novas e mais sofisticadas tecnologias que lhes permitem surpreender a polícia sem grande dificuldades. Tem que haver uma adaptação dos corpos policiais as novas tendências criminais. E outro aspecto para mim importante, é as condições em que trabalham os polícias. Basicamente não podem magoar o assaltante, nem danificar qualquer instrumento de trabalho. No fundo estão no local do crime apenas para constatar o que se passou, para depois fazerem um relatório bonito para as chefias.

Perante isto, o Governo vai criando paliativos que apenas anestesiam, mas não resolvem os problemas.

Leccionar...Coragem ou Demência?

"Há professores que não reúnem condições para se inscreverem nos centros de emprego, alertam

40 mil professores "efectivamente no desemprego" , denuncia FENPROF

A FENPROF revelou hoje que o número de professores que "efectivamente fica no desemprego" é de 40 mil, um número superior ao registado no ano anterior, apontando como causa principal as "medidas deliberadamente orientadas pela tutela para esta situação".

"O número de professores que efectivamente fica no desemprego é de 40 mil, um número superior ao do ano passado, que ultrapassa em cerca de cinco mil - calculámos 35 mil no ano passado -, mas que é mais gravoso ainda porque todos sabemos que ao longo deste ano muitos professores se aposentaram", afirmou aos jornalistas o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (FENPROF), Mário Nogueira."

In Público 03-09-08

Ser professor é hoje um acto de coragem, dever cívico ou simplesmente um capricho para pessoas com problemas a nível mental?
Surgiu-me esta pergunta, quando em cada início de ano lectivo, vejo e revejo notícias como esta que transcrevi. Todos os anos são aos milhares os professores que correm para o computador à busca de um cantinho onde possam exercer...a sua profissão ou o seu acto de masoquismo?
Qual é a pessoa que no seu perfeito juízo, trabalha para não ser respeitada, para ser humilhada pelos seus "subordinados", para ser agredida e desrespeitada, para perder privilégios laborais e profissionais ano após ano?
Considero um erro crasso, o caminho que se percorreu depois do 25 de Abril, onde se deixou de focalizar a educação no Professor, e se passou a olhar só e exclusivamente para o aluno. Tirar poderes aos professores, e pô-los à mercê do temperamento dos alunos e agora também dos pais, agora defensores cegos dos desvios dos seus educandos.
Por tudo isto, digo que quem segue a vertente profissional na educação, é masoquista ou então sofre de distúrbios mentais graves.
E esta minha constatação ainda é mais reforçada, quando vemos que há professores que estão à mais de 10 anos a leccionar, e ainda não foram integrados nos quadros da respectiva escola, exactamente o contrário do que a Lei Laboral consagra.
John Dewey referiu "A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida", ou seja, se queremos uma sociedade desenvolvida, culta, activa e com sentido reflexivo e crítico perante o real onde habituam, é necessário que não o orgãos de decisão não ponha a educação no saco dos "Luxos", mas sim, como uma necessidade primária para qualquer cidadão. Mas para que isso aconteça, há que dar condições para que os principais actores da educação, que são os professores, possam exercer com paz e qualidade a função para a estar vocacionados.
Era importante que todos retivéssemos a noção que a educação é o pilar evolucionista de qualquer país que se quer evoluído. Tal como Kant um dia referiu, "
é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Justiça

"Paulo Pedroso considera os portugueses tiveram hoje uma prova de que a Justiça funciona e que podem confiar nos Tribunais. Uma opinião que não é partilhada pelas vítimas do processo casa Pia.

O ex-deputado e ex-ministro socialista reage desta forma à decisão do Tribunal Cível de Lisboa, que condenou o Estado ao pagamento de cerca de 100 mil euros de indemnização por danos morais, por causa dos quatro meses e meio em que esteve preventivamente detido no âmbito do processo Casa Pia.

Em declarações à SIC, Paulo Pedroso diz que a decisão repara um período da sua vida, que foi de grande sofrimento: “Foi um processo que me causou muitíssimo sofrimento, e colocar este processo contra o Estado era um imperativo ético.

Com esta decisão, os cidadãos sabem que podem confiar nas instituições. Como diz uma velha expressão portuguesa, a justiça pode tardar, mas não pode falhar"


In RR 02-09-08

É obviamente um motivo de congratulação esta decisão do Tribunal Cível de Lisboa, em relação ao processo que Pedro Pedroso moveu contra o Estado.
Mas o objectivo deste artigo, é para declarar o seguinte:

Não concordo minimamente quando Paulo Pedroso afirma que os "cidadãos sabem que podem confiar nas instituições", e "a justiça pode tardar, mas não pode falhar".

Como se tem visto em constantes casos jurídicos, a justiça é lenta, cheia de vicissitudes incompreensíveis e obscuras, e não está acessível a todos...ou melhor está efectivamente consagrado na Constituição, e realmente todos nós, quando presentes em tribunal temos direito a um advogado, mas o problema nasce aí:

Que advogado é que nos é designado?

Normalmente são estagiários, sem experiências e que normalmente são facilmente manipuláveis e impressionáveis (nada contra os estagiários, apenas acusam como é normal falta de experiência). Ora para se levantar processos contra o Estado, ou contra qualquer grande empresa Naciona ou Internacional, só se ganha se se conseguir ter como aliado um advogado experiente, conhecedor e que se movimente muito bem nos bastidores. E isso obviamente é obriga a um despender de avultadas somas, que não estão ao alcance de todos os cidadãos. Não vejo um estagiário a ganhar um processo contra o Estado ou qualquer outro "gigante". Parece correcta a intenção de impedir que estagiários exerçam a defesa dos mais necessitados.
Por outro lado, pelo facto de a Justiça ser lenta e morosa, com vários procedimentos previstos para adiar decisões, torna-se incomportável para o comum dos mortais aguentar um processo durante anos, pelas elevadas despesas monetárias que isso acarreta, e também pelo desgaste psicológico e moral infligido. Por este motivo, muitas das vezes ou se desiste ou nem sequer se abre um processo, e quando é aberto acaba em acordo muitas vezes pouco vantajoso para o queixoso.
Ou seja, todos temos acesso à Justiça, mas há quem tenha acesso à Justiça e outros A Justiça. Como dizia um filosofo espanhol "nem todo se resume a dinheiro, mas todas as outras coisas são muito caras".
Outra fundamento algo controverso a meu ver a nível judicial e de justiça, é a presunção de que "até prova em contrário todos os arguidos são inocentes". Porque não inverter a lógica?. Parece-me que por vezes, protege-se mais o criminoso, aquele que transgrediu, que propriamente quem acusa, e quem foi vítima. Não se pretende com isto dizer, que todas as acusações são tendencialmente verdadeiras, mas há casos, em que abusivamente se põem os arguidos em pedestais. Num processo judicial, passa muitas vezes a ideia que o objectivo não é mostrar que alguém é culpado, mas sim que aqueles coitadinhos presentes em tribunal, e que muitas vezes comentem crimes bárbaros não são "apenas" inocentes. E por vezes quase se consegue que essa imagem resulte, em pena a comoção por parte da opinião pública, algo que só se consegue com a habilidade de astutos advogados que mais parecem actores de Hollywood.
Por isso, realmente para o Sr. Paulo Pedroso a justiça tardou mas não falhou, mas isso é porque ele pude esperar...





Esquecimento

“Petróleo em queda livre já perdeu mais de 40 dólares desde recorde

As cotações do petróleo caíram mais de 8% em Nova Iorque e perto de 5% em Londres, atingindo mínimos dos últimos cinco meses e aproximando-se cada vez mais do patamar dos 100 dólares, com o anúncio de que as companhias energéticas estão a retomar a produção nas plataformas do Golfo do México que foram encerradas devido à passagem do furacão Gustavo”.


“Os preços do petróleo, que já caíram mais de 40 dólares desde os máximos históricos de 11 de Julho (147,27 dólares em Nova Iorque e 147,50 dólares em Londres), foram bastante penalizados nos últimos dias pela perda de força do furacão Gustavo, o que fez com que a sua passagem pelas regiões de produção petrolífera não fosse tão devastadora quanto o inicialmente previsto.”

In Jornal de Negócios 02-09-08

Ao que parece o Gustav não foi tão forte como se previa, e com isto, o preço do petróleo mantêm o seu ritmo de descida.
Curiosamente, os preços ao consumidor em Portugal mantêm-se intacto. Segundo as justificações da GALP, aquando da subida do preço, os valores apresentados ao consumidor, não representam no exacto momento, o valor a que é comprado o petróleo no exterior. Mas como se pode ver nesta notícia, o petróleo tem baixado consecutivamente desde dia 11 de Julho, e por cá apenas desceu 2 vezes, e com valores sobejamente irreais.
Não percebo é o silêncio do Governo, partidos da oposição, órgãos de comunicação social, consumidores e empresas, perante esta realidade. Obviamente percebe-se o papel do Governo, porque os preços altos, acabam por beneficiar as finanças estatais, mas em relação aos outros não se percebe, porque foram sempre muito activos em declarações no momento da subida de preços, mas pouco presentes quando é necessário baixar.
Arrisco-me a dizer que a contestação social, presente (pouca ou nenhuma, e constantemente organizada por sindicatos, não partindo de uma emergência social dos cidadãos) na nossa sociedade, é um pouco exercida ao sabor da maré, consoante o vento sopra. Não me parece que haja uma agenda ou uma intervenção social de denúncia ou reivindicativa coerente e sustentada. Por esse motivo provavelmente é que é tão facilmente desmantelada e posta em causa.
Efectivamente, cada vez vez mais são os gatekeepers da informação, que fazem a agenda do que se deve ou não falar, e do que é ou não motivo para contestação, falatório ou silêncio profundo.
Vamos aguardar serenamente e entretidos, até que alguém se lembre de repor os preços ao valores normais e justos (porque é assim que querem que seja vivido o dia a dia asfixiante).



Gerações

"Sábado, 30 de Agosto de 2008
A Rebeldia iPhone

A SIC montou uma gigantesca campanha de promoção para a sua nova série/novela/monte de merda, que dá pelo nome de Rebelde Way.
Depois de anos a apanhar bonés, percebeu que a melhor maneira de combater a morangada da TVI era...imitar. É lógico. Era inevitável.
Depois de 20 minutos a ver a nova série (o que me provocou uma crise de cólicas da qual só um dia depois começo a recuperar) sinto-me preparado para uma análise.
Bora lá.
A fórmula é a mesma nos dois canais. Aqui fica a receita:

1 - Pitas boas. Muitas, quanto mais descascadas melhor (as séries de verão são, naturalmente, as melhores, porque eles vão todos juntos para a praia).
2 - Gajos "estilosos". A coisa divide-se em dois: há aqueles que têm quase 30 anos mas fazem de adolescentes, e depois há os que são mesmo adolescentes. Estes últimos são aqueles que se levam a sério enquanto "actores". O requisito essencial para qualquer gajo que entre nestas séries é ter um penteado ridículo.
3 - O Rebelde Way tem gajas do norte. Fazem de gajas daqui, mas aquele sotaque é fodido de perder. Fica ridículo, mas as gajas são boas.
4 - Nos Morangos, a palavra "pessoal" é dita 53 vezes por minuto, normalmente inserida nas frases "Eh pá, pessoal!", no início de cada conversa, ou então "Bora lá, pessoal", antes do início de qualquer actividade.

Agora vamos à bosta que a SIC acabou de parir, com pompa, circunstância, varejeiras e mau cheiro.
Chama-se Rebelde Way. Cool, man! O slogan dos Morangos era "Geração Rebelde", mas a inspiração deve ter vindo de outro lado, de certeza. O que me irrita na poia da SIC é que os gajos são todos betinhos (até os mânfios são todos giros e cool e com uma caracterização ridícula, como se fossem a um baile de máscaras vestidos de agarrados ou arrumadores de carros). Mas depois são bué rebeldes. São bué mauzões, man! A brincar com os seus iPhone, com as suas roupinhas fashion, grandes vidas, mas muita mauzões.
Se há algo que esta geração de morangada não pode ser, não tem direito a ser, é ser rebelde. Rebelde porquê, contra quê? Nunca houve em Portugal geração mais privilegiada do que a actual à qual esses putos pertencem. Nunca qualquer puto teve tanta liberdade e tanta guita no bolso como esta malta. Nunca as pitas foram tão boas e tão disponíveis para foder com a turma inteira como agora. Nunca houve tamanha liberdade de mandar os pais à merda e exigir uma melhor mesada porque é altura dos saldos. Rebelde porquê? Em nome de quê?
É claro que isto são pormenores com as quais as novelas não se deparam, nem têm de o fazer. O objectivo é simples: para uma geração tão privilegiada como aquela que é retratada, há que criar uma rebeldia fictícia, porque não é cool ser dondoca aos 16 anos. Mas é o que todos eles são.
Há uns tempos vi, no largo do carmo, um bando de aí uns 15 putos e pitas, vestidos à dread com roupinha acabada de comprar na Pepe Jeans. Um dos putos que ia à frente, não devia ter mais de 16 anos, vem a falar à idiota como se fosse dono da rua, saca duma lata de tinta e escrevinha qualquer coisa de merda na parede. Todos se riram, todos adoraram, e ele foi, durante cinco minutos, o maior do bairro. Não fiz nada, mas devia ter-lhe partido a boca toda.
Todas as últimas gerações antes desta (incluindo a minha, a Geração Rasca, que se transformou na Geração Crise - bem nos foderam com esta merda) tiveram de furar, de lutar, de fazer algo. Havia uma alienação mais ou menos real, que depois se podia traduzir nalguma forma de rebeldia. Não era o 25 de Abril como os nossos pais. A nossa revolução é a dos recibos verdes e da consolidação orçamental. Mas esta morangada sente-se, devido à merda que a televisão lhes serve e aos paizinhos idiotas que (não) a educaram, que é dona do mundo. Quando já és dono do mundo, vais revoltar-te contra quem? E por que raio haverias de o fazer?!
E assim vamos nós.
Com novelas de putos "rebeldes", feitas por "actores" cujo momento de glória é entrar numa boys band ou aparecer de cu ao léu na capa da FHM, ensinando a todos os outros putos que temos que ter cuidado com as drogas (mas todos os agarrados são limpinhos, assépticos, com os mesmos penteados ridículos), que a gravidez adolescente é má (mas todas as pitas querem foder à grande, porque são donas da sua própria vida e os pais não sabem nada, etc) e que, sobretudo, este mundo lhes deve alguma coisa.
Os tomates.
A mim e aos meus, o mundo deve alguma coisa. Aos que foram atrás da merda do canudo para trabalhar num call center, aos que se matam a trabalhar e são forçados a ser adultos antes do tempo. Não a esta cambada de mentecaptos.
E depois estas séries vão retratando "problemas sociais da juventude", afagando a consciência de quem "escreve" aquela merda, enquanto ao mesmo tempo incentivam esta visão egocêntrica, egoísta e vácua desta geração acabadinha de sair do forno.
Talvez eu esteja a ficar velho e a soar como o meu pai. Lamento se não é cool.
Mas esta merda enoja-me."

Autor Anónimo


Em que medida estas séries televisivas alteraram ou comprometem os valores destas novas gerações?
Parece-me pertinente levantar algumas questões?

- Obviamente que as televisões (essencialmente privadas, mas não só) se regem pelo lucro, mas não deveriam ter mais cuidado, e mais sensibilidade com os contéudos programáticos que apresentam, e especialmente para o público-alvo a que se destina este programa?

- Será esta abordagem constante e doentia sobre o tema rebeldia, a verificação de inquietação social, ou apenas o querer etiquetar toda uma geração?

- Até quando é que os país destes adolescentes se vão fingir distraídos a estes fenómenos de intoxicação visual, mental, e moral, onde há um incentivo constante a atitudes e ideais desviantes?

- Até quando é que os país vão conseguir alimentar as expectativas consumistas dos seus filhos, quando estão perfeitamente atulhados e absorvidos em engenharias financeiras, que lhes permitam ter dinheiro para a partir de dia 15 comprarem bens essenciais à sua sobrevivência? E que consequências surgirão quando os pais começarem a dizer não aos seus filhos, ao nível das relações familiares(conseguiram os adolescentes, perceber que os pais não têm dinheiro para comer, quanto mais para lhe comprar telemóveis, roupas ou jogos de computador)?

- Por quanto tempo mais, os pais deste adolescentes, vão continuar a transferir o papel de educação para a escola, ATL’s, etc, em vez de assumirem eles o papel activo e que lhes estava reservado, no adquirir de valores sociais e de ética e personalidade desses jovens, que vêem na televisão os “raw models”, onde vão buscar tiques, manias e atitudes?

- E o Estado nisto tudo, também vai continuar a assistir a esta consolidação de culturas marginais, que em simultâneo com as ondas de crimes a que assistimos, parecem mostrar, que estamos a começar a perder o controlo perante franjas da sociedade perfeitamente ignoradas?

- Não seria mais educativo tentar consciencializar os jovens de hoje, que para lá do aparente clima de facilitismo e materialismo em que vivemos, (em que parece que tudo se pode ter e tudo é atingível), terão muitas dificuldades nos anos vindouros, para se integrarem numa sociedade fechada, egoísta e pouco altruísta.

- E para mim a mais importante das perguntas: Continuará a Escola a perder importância, poder, e a centrar-se exclusivamente e abusivamente nos direitos e integração do aluno, relegando para papel secundário, a função para a qual foi criada ainda na Antiga Grécia, ou seja, ensinar a reflectir, pensar, filosofar, e não educar? Para isso, existem os pais digo eu…

É preocupante quando assistimos, não apenas nos programas de televisão, a uma crescente desumanização, tudo em nome do número, do cifrão e do lucro. Até quando...